SAÚDE BUCAL, QUALIDADE DE VIDA E PREVALÊNCIA DE LESÕES BUCAIS EM IDOSOS DE CORONEL FREITAS – SC

Autores

  • Leonardo Rinaldi
  • Micheli Cristina Blado
  • Vitória Luisa Mariani
  • Matheus Bianchini

Resumo

Introdução: O envelhecimento populacional representa importante desafio para a saúde pública, especialmente diante das alterações funcionais e sistêmicas que podem repercutir na saúde bucal e na qualidade de vida. No Brasil, são consideradas idosas as pessoas com idade igual ou superior a 60 anos.¹ Nessa população, as condições de saúde bucal podem interferir em aspectos físicos, psicológicos e sociais, influenciando a percepção de qualidade de vida.² Com o avanço da idade, alterações fisiológicas e condições associadas ao envelhecimento podem aumentar a vulnerabilidade da cavidade bucal. Entre as alterações relatadas em idosos destacam-se candidíase, doenças liquenoides, alterações linguais, estomatite protética, ulcerações, leucoplasia, xerostomia, hiperqueratose e lesões benignas, como fibromas e lipomas.³ Nesse contexto, a avaliação clínica associada a instrumentos de mensuração da qualidade de vida relacionada à saúde bucal pode contribuir para conhecer as necessidades dessa população e subsidiar estratégias de promoção, prevenção e diagnóstico precoce. Objetivo: Avaliar a qualidade de vida relacionada à saúde bucal, as condições de saúde bucal e a ocorrência de lesões bucais em idosos residentes no município de Coronel Freitas, Santa Catarina. Métodos: Trata-se de estudo observacional, descritivo, transversal e de abordagem quantitativa. A coleta de dados é composta por duas etapas: aplicação de questionário sociodemográfico associado ao Oral Health Impact Profile em sua versão reduzida (OHIP-14), destinado a mensurar o impacto da saúde bucal na qualidade de vida, e realização de exame clínico da cavidade bucal para identificação de possíveis lesões. O estudo foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa de Itapiranga, sob parecer nº 8.280.950. Resultados: A amostra estimada é de 359 idosos, dos quais 100 foram avaliados até o momento, com média de idade de 70 anos. Entre as alterações identificadas estão sete casos de varizes linguais, dois de lesões vasculares, dois de fibroma, dois de queilite angular, dois de lesões traumáticas e casos isolados de hiperplasia fibrosa inflamatória, candidíase pseudomembranosa e eritematosa, língua geográfica, língua fissurada e hiperqueratose. Foi identificada uma queilite actínica encaminhada para biópsia na Clínica-Escola da UCEFF. Outros três participantes foram encaminhados para avaliação na Unidade Básica de Saúde por lesões suspeitas de leucoplasia, eritroplasia e queilite actínica. A média do escore total do OHIP-14 foi de 4,0 pontos, indicando, até o momento, baixo impacto da saúde bucal na qualidade de vida dos participantes. Conclusão: Os resultados preliminares demonstram a presença de diferentes alterações bucais na população avaliada, incluindo lesões que demandaram investigação especializada. Apesar disso, o baixo escore médio do OHIP-14 sugere impacto reduzido da saúde bucal na qualidade de vida. A continuidade da coleta permitirá caracterizar de forma mais representativa o perfil dessa população e contribuir para o planejamento de ações de promoção, prevenção e diagnóstico precoce em saúde bucal.

Referências

Brasil. Senado Federal. Estatuto do Idoso. Brasília (DF): Senado Federal; 2003.

Block C, König HH, Hajek A. Oral health and quality of life: findings from the Survey of Health, Ageing and Retirement in Europe. BMC Oral Health. 2022;22(1):606. doi:10.1186/s12903-022-02599-z.

Radwan-Oczko M, Bandosz K, Rojek Z, Owczarek-Drabińska JE. Clinical study of oral mucosal lesions in the elderly—prevalence and distribution. Int J Environ Res Public Health. 2022;19(5):2853. doi:10.3390/ijerph19052853.

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Publicado

2026-08-29

Edição

Seção

I Ciência em Foco: Mostra de Trabalhos Científicos em Odontologia (Chapecó)