MANEJO ODONTOLÓGICO DO PACIENTE ONCOLÓGICO: REVISÃO INTEGRATIVA E PROPOSTA DE GUIA CLÍNICO
Resumo
Introdução: O câncer constitui importante problema de saúde pública e sua crescente incidência, associada ao aumento da sobrevida dos pacientes, amplia a necessidade de uma assistência multiprofissional durante todas as etapas do tratamento. As terapias antineoplásicas, embora fundamentais para o controle da doença, podem provocar complicações bucais capazes de comprometer a alimentação, a comunicação, a qualidade de vida e, em situações mais graves, a continuidade do tratamento oncológico¹. Entre as principais alterações destacam-se mucosite oral, xerostomia, infecções oportunistas, cárie de radiação, osteorradionecrose e osteonecrose dos maxilares relacionada a medicamentos²˒³. A mucosite oral apresenta elevada morbidade, enquanto a hipofunção salivar decorrente principalmente da radioterapia de cabeça e pescoço pode persistir e favorecer outras alterações bucais³˒⁴. Complicações ósseas, como osteorradionecrose e osteonecrose relacionada a medicamentos, também apresentam manejo complexo, reforçando a importância da prevenção e da avaliação odontológica prévia⁵˒⁶. Nesse contexto, protocolos clínicos estruturados podem auxiliar o cirurgião-dentista na tomada de decisão e na organização da assistência odontológica ao paciente oncológico. Objetivo: Desenvolver, com base em evidências científicas, uma proposta de guia rápido para o atendimento odontológico de pacientes oncológicos, contemplando orientações e condutas aplicáveis às fases pré, trans e pós-tratamento antineoplásico. Métodos: O estudo foi desenvolvido em duas etapas. Inicialmente, realizou-se uma revisão integrativa da literatura na base PubMed, utilizando descritores MeSH e termos livres relacionados às neoplasias, terapias antineoplásicas, saúde bucal e manejo odontológico, combinados pelos operadores booleanos AND e OR. A estratégia de busca identificou 198 estudos. Após análise de títulos e resumos e leitura dos textos potencialmente elegíveis, 19 artigos foram selecionados para compor a revisão. Posteriormente, os achados foram organizados de acordo com as principais complicações e condutas odontológicas, subsidiando a elaboração do guia rápido. Resultados: Os estudos evidenciaram a importância da atuação odontológica em todas as fases do tratamento oncológico. As complicações mais abordadas foram mucosite oral, xerostomia, cárie de radiação, infecções oportunistas, doença periodontal, osteorradionecrose e osteonecrose relacionada a medicamentos. Entre as principais estratégias identificadas destacaram-se avaliação odontológica prévia, eliminação de focos infecciosos, orientação de higiene bucal, uso de fluoretos, controle da dor, manejo da xerostomia e acompanhamento periódico²˒³˒⁷. Para a mucosite, foram relatadas estratégias como crioterapia e fotobiomodulação²˒⁸. Os achados reforçam que a prevenção e o acompanhamento contínuo são componentes fundamentais do cuidado odontológico. Conclusão: A literatura evidencia que o cirurgião-dentista desempenha papel relevante na prevenção e no manejo das complicações bucais associadas ao tratamento oncológico. A organização dessas evidências em um guia rápido poderá facilitar a tomada de decisão clínica e contribuir para uma assistência odontológica mais sistematizada nas fases pré, trans e pós-tratamento.