O USO EXCESSIVO DAS MÍDIAS DIGITAIS E SEUS EFEITOS NO DESENVOLVIMENTO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES.

Autores

  • Frida Leich Discente curso de Psicologia
  • Clenio Vianei Mazzonetto Doutor em Educação, Licenciado em Filosofia, Docente UCEFF/Itapiranga

Resumo

Introdução: As telas constituem ferramentas úteis quando utilizadas de forma adequada, podendo contribuir para a aprendizagem e para o processo de desenvolvimento das crianças. Entretanto, o uso excessivo e a exposição às redes sociais têm sido associados a impactos negativos, incluindo alterações no desenvolvimento cognitivo e linguístico, baixa autoestima, sintomas depressivos, sofrimento psicológico, alterações relacionadas ao controle de impulsos, prejuízos na memória e na atenção e alterações na qualidade do sono. Além disso, a exposição excessiva pode colocar em risco a integridade, a privacidade e a segurança de crianças e adolescentes. Nesse contexto, torna-se relevante compreender os efeitos do uso excessivo das mídias digitais sobre o desenvolvimento infantojuvenil. Objetivo: Problematizar o uso excessivo de telas e a influência das redes sociais sobre crianças e adolescentes, buscando analisar seus possíveis impactos negativos sobre o desenvolvimento cognitivo e psicossocial. Método: Trata-se de uma pesquisa de natureza teórica e qualitativa, que adotou o método hipotético-dedutivo para analisar a aplicabilidade da pesquisa bibliográfica no processo de metodologia científica. O procedimento metodológico utilizado foi a pesquisa bibliográfica, mediante consulta a recursos físicos e eletrônicos disponíveis. Resultados e Discussão: Atualmente, vivencia-se uma nova era tecnológica, na qual as mídias digitais fazem parte do cotidiano infantojuvenil. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstram a ampla utilização da internet pela população brasileira, especialmente entre os jovens, evidenciando a crescente inserção das tecnologias digitais nas relações sociais e educacionais¹. Nesse cenário, torna-se evidente a influência da internet e das redes sociais na educação, especialmente por meio de plataformas digitais e conteúdos visuais utilizados na construção do conhecimento. Silva, Pereira e Arroio destacam o papel do YouTube no ensino de Ciências, evidenciando o potencial das plataformas digitais como recursos educacionais². Com a expansão das tecnologias, a construção e o compartilhamento de informações ocorrem tanto por parte dos estudantes quanto dos professores. Entretanto, ainda existe resistência entre alguns profissionais da educação quanto à utilização das redes sociais no ensino, relacionada a dificuldades de manuseio, insegurança e à necessidade de desenvolver práticas pedagógicas diferentes dos modelos tradicionais. Brito e Straub destacam que a introdução de tecnologias na educação, sem o devido preparo, pode gerar desafios para os professores, contribuindo para dificuldades na utilização dos recursos e, em alguns casos, desânimo na adoção de práticas inovadoras³. A cibercultura também tem influenciado a maneira como as pessoas interagem, aprendem, organizam-se e constroem suas identidades. A interação no ciberespaço ultrapassa barreiras físicas e geográficas, possibilitando novas formas de socialização, expressão cultural e construção do conhecimento. Entretanto, o excesso de exposição às redes sociais pode afetar negativamente diferentes dimensões do desenvolvimento psicossocial, incluindo identidade, autoestima e estabilidade emocional. A presença de crianças e adolescentes nas redes sociais é cada vez mais frequente, sendo comum que os próprios responsáveis legais compartilhem imagens, informações e aspectos da rotina dos menores com o objetivo de ampliar seguidores, visualizações e engajamento. Essa exposição pode apresentar riscos relacionados à violação da privacidade e à utilização indevida de dados pessoais, especialmente quando informações sobre localização, rotina e características pessoais são disponibilizadas publicamente. O excesso de exposição também pode favorecer ansiedade e sofrimento emocional, considerando a presença de julgamentos, críticas e necessidade de validação social no ambiente virtual. A busca por maior número de amigos, seguidores, curtidas, comentários e compartilhamentos pode estimular comportamentos orientados pela aprovação social. Além disso, a exposição de padrões de vida idealizados pode favorecer processos de comparação social, criando expectativas pouco realistas sobre aparência, relacionamentos e estilo de vida. Como consequência, crianças e adolescentes podem ser expostos a conteúdos prejudiciais, incluindo cyberbullying, agressões verbais e mensagens que podem ser interpretadas de maneira equivocada. Esses fatores podem contribuir para alterações comportamentais, conflitos interpessoais e sofrimento psicológico. A exposição frequente a conteúdos relacionados à saúde mental também pode produzir impactos emocionais tanto nos indivíduos que compartilham suas experiências quanto naqueles que consomem esses conteúdos. O excesso de exposição às telas, redes sociais, vídeos e outros estímulos digitais também pode interferir no processo educacional quando compromete a atenção, a aprendizagem e as relações sociais. Entre os possíveis impactos encontram-se redução da concentração, aprendizagem superficial, prejuízos relacionados à leitura e à escrita e distração durante as aulas. Dessa forma, embora as tecnologias digitais possam constituir importantes ferramentas educacionais, seus benefícios dependem da utilização equilibrada, orientada e adequada às características do desenvolvimento infantojuvenil. Conclusão: A presente pesquisa buscou investigar o excesso de uso das redes sociais e suas possíveis repercussões sobre crianças e adolescentes. As redes sociais apresentam potencial para conectar pessoas, disseminar informações e contribuir para processos educacionais, podendo ser utilizadas de maneira positiva ou negativa. Recomenda-se, portanto, o uso equilibrado e supervisionado por adultos responsáveis, associado à valorização de estímulos presenciais, sociais e saudáveis. A cibercultura e as transformações socioculturais influenciam diferentes aspectos da vida cotidiana, incluindo a atuação de influenciadores digitais que expõem sua rotina e estilo de vida. Quando crianças e adolescentes são inseridos nesse contexto de exposição, podem ocorrer riscos relacionados à privacidade, à segurança e à exploração comercial. O compartilhamento excessivo de informações pode ultrapassar os limites dos direitos assegurados pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente⁴. Além disso, informações disponibilizadas durante a infância e a adolescência podem permanecer acessíveis posteriormente, produzindo constrangimento, preocupação com o futuro, baixa autoestima e processos de comparação social.

Referências

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pnad Contínua TIC 2018: acesso à internet e à televisão e posse de telefone móvel celular para uso pessoal. Rio de Janeiro: IBGE; 2020. Disponível em: https://loja.ibge.gov.br/pnad-continua-acesso-a-internet-e-a-televis-o-e-posse-de-telefone-movel-celular-para-uso-pessoal-2018.html. Acesso em: 7 ago. 2026.

Silva MJ, Pereira MV, Arroio A. O papel do YouTube no ensino de Ciências para estudantes do ensino médio. Rev Educ Cienc Mat. 2017;7(2):35-55. Disponível em: http://publicacoes.unigranrio.com.br/index.php/recm/article/view/4560. Acesso em: 3 ago. 2026.

Brito AF, Straub SLW. As mídias digitais e a prática pedagógica. Eventos Pedagógicos. 2013;4(1):12-20.

Brasil. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Estatuto da Criança e do Adolescente. Brasília, DF; 1990.

Publicado

2026-08-16

Edição

Seção

Resumo Expandido/Resumos