OBSERVAÇÃO: SUA IMPORTÂNCIA NO DIA A DIA DE UM PSICÓLOGO

Autores

  • Dieison Köller Gabriel Discente do curso de Psicologia do Centro Universitário FAI, UCEFF/Itapiranga.
  • Lais Regina Jaeger Docente do curso de Psicologia do Centro Universitário FAI, UCEFF/Itapiranga.
  • Ariella Luisa Caovilla Docente do curso de Psicologia do Centro Universitário FAI, UCEFF/Itapiranga.
  • Carine Andreia Anklam Docente do curso de Psicologia do Centro Universitário FAI, UCEFF/Itapiranga.

Resumo

Introdução: Ao final do século XIX, a Psicologia separou-se da Filosofia e consolidou-se como uma ciência experimental. Nesse contexto, Wilhelm Wundt fundou o primeiro laboratório de Psicologia, onde o estudo da mente e do comportamento passou a ser realizado por meio de métodos científicos, baseados na observação e na experimentação¹. A partir desse momento, a observação tornou-se uma das principais ferramentas para a compreensão dos fenômenos psicológicos, permitindo que os pesquisadores registrassem comportamentos, identificassem padrões e analisassem as interações dos indivíduos em diferentes contextos. Dessa forma, a observação passou a desempenhar um papel essencial na produção do conhecimento científico em Psicologia, pois possibilita a coleta sistemática de informações sem interferir, necessariamente, no comportamento observado². Assim, a presente atividade consiste em uma observação direta não participante. A observação teve caráter exclusivamente acadêmico, visando aproximar conceitos teóricos da Psicologia ao cotidiano profissional e às dinâmicas sociais presentes em ambientes laborais. Objetivo: Analisar o comportamento de

 

um indivíduo em seu ambiente de trabalho, identificando padrões de conduta, formas de interação social e a influência do contexto organizacional sobre suas ações. Método: Para a elaboração da atividade, foi seguido um protocolo observacional. A observação realizada foi caracterizada como observação direta não participante, na qual o observador acompanha e registra os comportamentos sem participar diretamente das atividades desenvolvidas pelo sujeito observado. Resultados e Discussão: Os resultados indicam que o sujeito dedicou a maior parte do tempo a atividades operacionais, como limpeza, organização de utensílios e preparo de bebidas. Observou-se também um padrão constante de deslocamento entre diferentes áreas do estabelecimento, o que demonstra alta demanda funcional da atividade exercida. Além disso, foram identificados comportamentos frequentes de monitoramento ambiental, sugerindo atenção contínua ao fluxo de trabalho e às demandas do local. Nos períodos de menor atividade, surgiram comportamentos de espera, como permanecer parado, observar o ambiente e utilizar o celular. Durante a observação, o sujeito apresentou comportamentos compatíveis com a execução adequada de suas atividades laborais, não sendo identificadas alterações que comprometessem o desempenho das tarefas. Entretanto, em comparação ao seu comportamento habitual, conhecido previamente pelo observador, notou-se uma postura mais reservada, com menor frequência de interações espontâneas, conversas e demonstrações de descontração. Esse aspecto merece cautela na interpretação, uma vez que a observação representa apenas um recorte temporal do comportamento humano². Após o encerramento da observação, em conversa informal, o sujeito relatou estar vivenciando conflitos em seu relacionamento amoroso. Embora essa informação não permita estabelecer uma relação causal entre a situação pessoal e o comportamento observado, ela constitui um elemento contextual relevante para a compreensão da variabilidade comportamental. A Psicologia compreende que o comportamento resulta da interação entre fatores biológicos, psicológicos e sociais, não podendo ser explicado por um único evento isolado³. O comportamento pode ser compreendido como função da interação entre

 

a pessoa e o ambiente (B = f(P,E))⁴. Isso significa que acontecimentos vivenciados em diferentes contextos da vida podem influenciar, temporariamente, a forma como o indivíduo percebe, interpreta e responde às demandas do ambiente de trabalho. Assim, conflitos interpessoais podem modificar o estado emocional e, consequentemente, alterar padrões habituais de interação social, atenção e expressão afetiva, sem que isso represente necessariamente uma característica permanente da personalidade⁴. Além disso, ao discutir a Psicodinâmica do Trabalho, compreende-se que o trabalhador leva consigo para o ambiente laboral aspectos de sua história, de suas relações sociais e de seus conflitos pessoais. Dessa forma, a atividade de trabalho não ocorre isoladamente da vida psíquica, sendo possível que experiências emocionais externas influenciem, em maior ou menor grau, a maneira como o indivíduo se comporta durante a jornada de trabalho⁵. Esses aspectos reforçam a importância da observação contínua e sistemática na pesquisa em Psicologia. Observações realizadas em diferentes momentos permitem identificar padrões consistentes e distinguir alterações ocasionais de características mais estáveis do comportamento⁶. Assim, a divergência entre o comportamento habitualmente apresentado pelo sujeito e aquele registrado durante a sessão observacional evidencia a necessidade de interpretar os dados considerando o contexto em que foram produzidos, evitando generalizações baseadas em uma única situação observada. Conclusão: A observação vai muito além de apenas registrar comportamentos visíveis, constituindo um importante instrumento para compreender a interação do indivíduo com o ambiente e identificar padrões de ação, comunicação e expressão emocional. A observação científica permite captar aspectos do comportamento que, muitas vezes, não são evidenciados por outros métodos de coleta de dados, desde que realizada de forma sistemática e criteriosa². Nesse sentido, a observação sistemática constitui uma ferramenta importante para a prática profissional do psicólogo, permitindo compreender o comportamento humano em seu contexto e subsidiar intervenções fundamentadas cientificamente.

Referências

Bock AMB, Furtado O, Teixeira MLT. Psicologias: uma introdução ao estudo da psicologia. 13. ed. reform. e ampl. São Paulo: Saraiva; 2001.

Gil AC. Métodos e técnicas de pesquisa social. 2. ed. São Paulo: Atlas; 1989.

Luzia JC, Gamba J, Kienen N, Gil SRSA, organizadores. Psicologia e análise do comportamento: pesquisa e intervenção. Londrina: Editora da Universidade Estadual de Londrina (EDUEL); 2019.

Lewin K. Princípios de Psicologia Topológica. São Paulo: Cultrix; 1973.

Dejours C. A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho. 5. ed. São Paulo: Cortez-Oboré; 1992.

Lakatos EM, Marconi MA. Fundamentos de metodologia científica. 9. ed. São Paulo: Atlas; 2022.

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Publicado

2026-02-15

Edição

Seção

Resumo Expandido/Resumos