O PAPEL DO BRINQUEDO NO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA
Palavras-chave:
Brinquedo; Brincar; Desenvolvimento; Criança; Imaginário.Resumo
Introdução: O ato de brincar, que é tão característico da infância, traz inúmeras vantagens para a formação da criança, permitindo que ela adquira uma série de experiências que contribuirão para o seu desenvolvimento. Um dos grandes pensadores que se dedicou a teorizar sobre o assunto foi Vigotski, que buscou compreender a origem e o desenvolvimento dos processos psicológicos. Para Vigotski, o homem é um ser social e precisa do outro para se desenvolver. Ao longo de sua obra, ele discute diversos aspectos da infância, destacando suas contribuições sobre o papel do brinquedo na estruturação do funcionamento psíquico da criança¹. A brincadeira vem se mostrando cada vez mais importante, principalmente como fonte de pesquisa em psicologia, sendo uma atividade terapêutica e fundamental para o desenvolvimento infantil. É brincando que a criança consegue demonstrar suas necessidades, explorar seu mundo interior e criar contextos imaginários para melhor compreender a realidade². Ao brincar, a criança tem a capacidade de adotar outros papéis, superar seus limites e demonstrar maior desempenho em algumas atividades. Brincando, a criança pode conhecer melhor o funcionamento de seu corpo, aprender a dividir os brinquedos, criar regras e resolver problemas do seu dia a dia³. Objetivo: Compreender o papel do ato de brincar no desenvolvimento psíquico, emocional e social da criança. Método: O presente estudo caracteriza-se como uma revisão narrativa da literatura, tendo como fonte de busca a base de dados SciELO. O tratamento das informações reunidas seguiu os princípios da análise de conteúdo, conforme proposto por Bardin⁴, procedimento adotado para identificar e selecionar os materiais mais alinhados ao propósito da pesquisa, os quais foram, em seguida, apresentados e discutidos. Resultados: De acordo com Vigotski, definir o brinquedo como uma atividade que proporciona prazer à criança é incorreto. Para a criança, o ato de chupar chupeta, por exemplo, pode ser relativamente mais prazeroso do que o brinquedo, apesar de não satisfazer plenamente suas necessidades. Além disso, algumas brincadeiras, principalmente em jogos esportivos, somente proporcionam prazer à criança quando o resultado é positivo; caso o resultado seja contrário, ela pode se frustrar e ficar decepcionada. O autor reforça que, para compreender a importância do brincar, é necessário observar a criança brincando e perceber como o brinquedo influencia seu desenvolvimento. Vigotski defende que o brincar satisfaz necessidades distintas em cada fase da criança, acompanhando sua maturidade. Assim, o brincar se modifica para atender às novas necessidades que surgem no contexto infantil¹. O brinquedo é um recurso que auxilia o crescimento da criança, constituindo um meio natural de exploração do mundo. De acordo com Santos e Cruz, a brincadeira influencia a formação da personalidade, as motivações, as necessidades, as emoções, os valores e as interações entre criança e família e entre criança e sociedade⁵. Estudos psicológicos destacam a importância do brinquedo para o desenvolvimento infantil. Além disso, o processo de brincar pode ser compreendido como fundamental para o desenvolvimento mental, emocional e físico da criança⁵. O desenvolvimento passa por diferentes fases relacionadas à aquisição de novas habilidades. Inicialmente, a criança pode necessitar de ajuda para realizar determinada atividade; posteriormente, após receber auxílio e aprender a realizá-la, passa a executá-la de forma independente. A segunda fase refere-se àquilo que a criança já aprendeu e possui capacidade de realizar sozinha, sem a ajuda ou interferência de um adulto. Nesse sentido, a brincadeira pode ser considerada um importante mecanismo de contribuição para a vida escolar da criança³. Outro fator que auxilia no desenvolvimento escolar da criança são os recursos pedagógicos, como desenhos e animações, que podem criar oportunidades para a produção de conteúdos pela própria criança. Dessa maneira, esses recursos podem estimular a curiosidade e favorecer a exploração de outros conteúdos tratados em sala de aula ou fora dela. Desenhos, vídeos, áudios e cartazes, associados a outras formas de linguagem, podem contribuir para o processo de aprendizagem⁶. A forma como a criança vivencia sua infância pode modificar qualitativamente sua vida adulta. É por meio dos brinquedos que a criança pode conhecer melhor a si mesma e desenvolver formas de inserção na sociedade, explorando seu mundo interior e realizando descobertas sobre o mundo que a cerca, contribuindo para a formação de aspectos importantes de seu desenvolvimento físico e mental³. Segundo Vigotski, crianças menores de três anos apresentam dificuldade em orientar seus desejos para o futuro, buscando a satisfação imediata de suas necessidades. Quando seus desejos não são atendidos, podem apresentar alterações de humor. Entretanto, a possibilidade de direcionar sua atenção para outra atividade pode fazê-las se distrair e esquecer aquilo que inicialmente desejavam¹. Diante da impossibilidade de satisfazer imediatamente determinados desejos, a criança pode envolver-se em um mundo imaginário no qual seus desejos são realizados. Esse mundo constitui uma dimensão importante do brinquedo e representa um processo psicológico novo para a criança. Nas crianças muito pequenas, a imaginação ainda não está plenamente presente em sua consciência¹. É brincando que a criança cria contextos imaginários, diferentes ou relacionados ao seu cotidiano. Por exemplo, a criança pode imaginar uma boneca como sua filha e assumir o papel de mãe, utilizando como referência o comportamento observado em sua própria mãe. Outro exemplo ocorre quando duas irmãs brincam de serem irmãs, reproduzindo comportamentos que imaginam ser próprios dessa relação. Essas situações imaginárias podem ser compreendidas como características importantes do brincar, nas quais aquilo que na vida real passa despercebido pela criança pode transformar-se em uma regra de comportamento no brinquedo¹. Conclusão: Pode-se concluir que a brincadeira é uma ferramenta essencial para o desenvolvimento infantil e merece atenção e envolvimento. Na infância, o brincar é uma atividade importante e deve ser estimulado, pois contribui para o desenvolvimento psíquico. Os estudos de Vigotski contribuíram significativamente para a compreensão do desenvolvimento infantil e do papel do brinquedo nesse processo. Por meio do brinquedo, a criança amplia sua capacidade de imaginar situações, desprendendo-se do significado imediato dos objetos e atribuindo-lhes novos sentidos. A relação entre desenvolvimento e brincar é, portanto, importante para a construção de novas aprendizagens. As atividades lúdicas constituem importantes recursos para a interação entre adultos e crianças e entre as próprias crianças. Elas possibilitam novas formas de desenvolvimento e reconstrução do conhecimento. Portanto, é importante que os adultos estejam presentes, atentos e envolvidos nas atividades infantis, aproveitando as oportunidades de aprendizagem proporcionadas pelo brincar.
Referências
Vigotski LS. A formação social da mente. 7. ed. São Paulo: Martins Fontes; 2007.
Rolim AAM, Guerra SSF, Tassigny MM. Uma leitura de Vygotsky sobre o brincar na aprendizagem e no desenvolvimento infantil. Rev Humanidades. 2008 jul-dez. Disponível em: http://brincarbrincando.pbworks.com/f/brincar+_vygotsky.pdf. Acesso em: 19 jun 2023.
Cabeleira MDS, Lunardi KO, Bianchi V. O papel do brinquedo no desenvolvimento infantil. Ijuí: Unijuí; 2019. Disponível em: https://www.revistas.unijui.edu.br/index.php/contextoeducacao/article/view/12555. Acesso em: 17 jun 2023.
Bardin L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70; 2016.
Santos SMP, Cruz DRM. Brinquedo e infância: um guia para pais e educadores em creche. 6. ed. Petrópolis: Vozes; 1999.
Peruzzo CMK, Pereira IS. O corpo brincante, o brinquedo corpo que fala: desenhos animados, comunicação e imaginário no desenvolvimento infantil. São Paulo: Universidade de São Paulo; 2020. Disponível em: https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=7863556. Acesso em: 22 jun 2023.