INFÂNCIA SILENCIADA: REFLEXOS PSICOLÓGICOS DA DITADURA MILITAR

Autores

  • Edinaida Amanda Gorziza Ribeiro Discente do curso de psicologia da UCEFF- Itapiranga.
  • Samira de Freitas Bolsi Psicóloga. Mestra em Educação pela URI/FW. Docente do Curso de Psicologia da UCEFF Itapiranga/SC.
  • Ariella Luisa Caovilla Psicóloga. Mestra em Educação pela URI/FW. Docente do Curso de Psicologia da UCEFF Itapiranga/SC.
  • Clenio Vianei Mazzonetto Licenciado em Filosofia. Doutor em Educação pela UNISINOS. Docente do curso de Psicologia do Centro Universitário FAI, UCEFF/Itapiranga
  • Fernanda Furini Psicóloga. Docente do curso de Psicologia do Centro Universitário FAI, UCEFF/Itapiranga

Palavras-chave:

Ditadura Militar; Infância; Direitos Humanos.

Resumo

Introdução: A Ditadura Militar brasileira (1964–1985) foi um período marcado pela restrição das liberdades democráticas, censura, perseguições políticas e violações dos direitos humanos. Embora grande parte dos estudos enfatize os impactos sobre os adultos, as crianças também sofreram consequências significativas desse contexto. Muitas vivenciaram a separação de seus familiares, o exílio, a violência institucional, a perda da convivência familiar e os efeitos psicológicos decorrentes da repressão. Além disso, a educação escolar foi influenciada por políticas autoritárias que valorizavam o nacionalismo e limitavam o pensamento crítico¹⁻³. Compreender os impactos da Ditadura Militar na infância brasileira é essencial para preservar a memória histórica, fortalecer a democracia e promover a defesa dos direitos das crianças. Objetivo: Analisar os impactos da Ditadura Militar na infância brasileira, destacando as consequências sociais, psicológicas, educacionais e familiares vivenciadas pelas crianças durante o período de repressão. Método: Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa e caráter descritivo. Foram consultados livros, documentos oficiais e artigos científicos que abordam a Ditadura Militar, a infância e os direitos humanos. A pesquisa bibliográfica possibilita reunir e interpretar conhecimentos produzidos sobre determinado tema, favorecendo uma análise crítica dos acontecimentos históricos⁴. Resultados e Discussão: Os estudos analisados demonstram que milhares de crianças sofreram consequências diretas e indiretas da repressão política. Muitas vivenciaram a separação de seus pais devido a prisões, exílio ou desaparecimentos forçados². Essas experiências contribuíram para situações de medo, insegurança e sofrimento emocional, especialmente diante da ruptura dos vínculos familiares e da instabilidade provocada pela repressão política³. No ambiente escolar, a educação foi utilizada como instrumento de fortalecimento da ideologia do regime militar, privilegiando valores como disciplina, nacionalismo e obediência, enquanto o pensamento crítico era limitado pela censura¹. Livros, conteúdos e manifestações culturais considerados inadequados ao regime também foram submetidos a restrições, contribuindo para limitar o acesso à informação¹. Sob a perspectiva dos direitos da criança, observa-se que a violência política extrapolou as vítimas diretas, atingindo também seus familiares. A infância é profundamente influenciada pelo contexto social em que está inserida, sendo fundamental considerar os acontecimentos históricos que cercam a vida das crianças para compreender seu desenvolvimento⁵. Dessa forma, discutir os impactos da Ditadura Militar contribui para fortalecer a memória histórica e a promoção dos direitos humanos. Conclusão: Conclui-se que a Ditadura Militar provocou importantes consequências para a infância brasileira, afetando o desenvolvimento emocional, familiar, social e educacional de inúmeras crianças. Os autores analisados evidenciam que os impactos da violência política ultrapassaram o período ditatorial, alcançando diferentes gerações. Assim, preservar a memória histórica e promover a educação em direitos humanos constituem estratégias fundamentais para fortalecer a democracia e prevenir novas violações dos direitos das crianças.

Referências

Fausto B. História do Brasil. 14. ed. São Paulo: EdUSP; 2019.

Brasil. Comissão Nacional da Verdade. Relatório Final. Brasília: Comissão Nacional da Verdade; 2014.

Schwarcz LM, Starling HM. Brasil: uma biografia. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras; 2018.

Gil AC. Métodos e técnicas de pesquisa social. 7. ed. São Paulo: Atlas; 2022.

Ariès P. História social da criança e da família. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC; 2019.

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Publicado

2026-08-16

Edição

Seção

Resumo Expandido/Resumos