v. 12 (2025)
Resumo Expandido

FAMÍLIA E TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS: UMA ANÁLISE SOCIOLÓGICA DAS CONFIGURAÇÕES FAMILIARES CONTEMPORÂNEAS

Claudiane Santos
Centro Universitário Uceff
Ariella Luisa Caovilla
Centro Universitário Uceff
Lais Regina Jaeger
Centro Universitário Uceff
Carine Andreia Anklam
Centro Universitário Uceff

Publicado 2026-08-14

Resumo

Introdução: A família é reconhecida como a primeira e mais importante instituição de socialização, sendo responsável pela transmissão de valores, normas e padrões de convivência que influenciam o desenvolvimento humano. Conforme Schaefer, ela constitui o principal agente de socialização na maioria das sociedades¹. Entretanto, a família não representa uma estrutura homogênea ou imutável, mas uma instituição dinâmica, influenciada por transformações históricas, culturais e socioeconômicas. Sob a perspectiva sociológica, compreender as diferentes configurações familiares possibilita analisar tanto seu papel na integração social quanto na reprodução de desigualdades relacionadas ao gênero, à classe e às relações intergeracionais. Para a Psicologia, essa compreensão amplia o entendimento dos vínculos familiares e dos processos de desenvolvimento humano. Objetivo: Compreender a família sob a perspectiva sociológica, destacando suas diferentes configurações, funções sociais e transformações contemporâneas, bem como suas contribuições para a compreensão das relações familiares na Psicologia. Método: Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa, desenvolvida a partir da análise da obra de Schaefer¹, conforme os pressupostos metodológicos de Gil² e complementada por autores que discutem família, relações sociais e transformações contemporâneas. A análise concentrou-se nas configurações familiares, nas funções sociais da família, nas principais perspectivas sociológicas e nos desafios enfrentados pelas famílias na atualidade. Resultados e discussão: A análise da obra de Schaefer evidencia que, apesar das diferenças culturais e históricas, a família preserva funções essenciais para a sociedade, como a socialização dos indivíduos, a proteção dos filhos e a transmissão de valores, normas e padrões de convivência¹. Entretanto, o autor destaca que a família não constitui uma instituição homogênea, assumindo diferentes configurações conforme os aspectos culturais, econômicos e sociais de cada contexto. Nesse sentido, observam-se diferentes arranjos familiares, formas de casamento, sistemas de parentesco e padrões de autoridade, evidenciando que a organização familiar acompanha as transformações da sociedade. Sob a perspectiva funcionalista, a família desempenha papel central na manutenção da ordem e da estabilidade social, sendo responsável pela integração dos indivíduos e pela continuidade das estruturas sociais. Em contrapartida, a teoria do conflito evidencia que essa instituição também pode contribuir para a reprodução das desigualdades sociais, especialmente aquelas relacionadas à classe social e ao gênero. Complementando essa discussão, a perspectiva feminista ressalta a persistência da divisão desigual das responsabilidades domésticas e da sobrecarga feminina, demonstrando que as relações familiares também refletem relações de poder presentes na sociedade¹,³. As transformações sociais contemporâneas favoreceram o surgimento de novas configurações familiares, como famílias monoparentais, homoafetivas, recompostas e casais sem filhos, ampliando a compreensão sobre o conceito de família e desafiando o modelo tradicional. Nesse contexto, Giddens destaca que os vínculos afetivos passam a ser sustentados principalmente pela reciprocidade e pela satisfação emocional, enquanto Bauman observa que a modernidade líquida tornou as relações humanas mais instáveis e vulneráveis às mudanças sociais⁴,⁵. Essas contribuições permitem compreender que as relações familiares contemporâneas são marcadas por constantes processos de negociação, adaptação e reorganização. Outro aspecto discutido por Schaefer refere-se à violência doméstica, considerada um fenômeno que atravessa diferentes classes sociais e contextos culturais, afetando significativamente mulheres, crianças e idosos¹. Essa realidade evidencia que a família, embora represente um espaço de cuidado, proteção e desenvolvimento, também pode constituir um ambiente de conflitos e reprodução de desigualdades. Para a Psicologia, compreender essas diferentes perspectivas amplia a análise das relações familiares, favorecendo uma atuação profissional mais sensível às especificidades de cada contexto e contribuindo para intervenções voltadas à promoção da saúde, fortalecimento dos vínculos e desenvolvimento humano. Conclusão: A análise sociológica da família evidencia que essa instituição constitui um fenômeno dinâmico, influenciado pelas transformações históricas, culturais e sociais. Conforme Schaefer, compreender a diversidade dos arranjos familiares e das relações de poder presentes nesse contexto permite ampliar a análise sobre os processos de socialização e desenvolvimento humano¹. Além disso, as contribuições de autores como Hochschild, Giddens e Bauman demonstram que as mudanças nas relações familiares refletem transformações mais amplas da sociedade contemporânea³⁻⁵. Para a Psicologia, essa compreensão favorece uma atuação profissional mais contextualizada, ética e sensível às diferentes configurações familiares, contribuindo para intervenções comprometidas com a promoção da saúde e o fortalecimento dos vínculos sociais.