SEGURANÇA DO PACIENTE: O PAPEL DO ENFERMEIRO NA DETECÇÃO PRECOCE DA PRÉ-ECLÂMPSIA
Resumo
- Introdução
A pré-eclâmpsia (PE) é uma síndrome hipertensiva específica da gestação, caracterizada pelo aumento da pressão arterial após a 20ª semana gestacional, associada à proteinúria e/ou disfunção de órgãos-alvo. Considerada uma das principais causas de morbimortalidade materna e fetal no mundo, a doença representa um importante problema de saúde pública devido às complicações que pode ocasionar, como eclâmpsia, síndrome HELLP, prematuridade e óbito materno-fetal (SOUZA et al., 2024). A prevalência global de PE é estimada em 4,43%, representando um desafio significativo para a saúde pública mundial (VERA-PONCE et al., 2025). Outrossim, a nível nacional a prevalência é estimada em 6,7%, sendo superior à média mundial, reforçando a necessidade de um olhar atencioso a detecção precoce desta patologia gestacional (GUIDA et al., 2022). A identificação precoce dos sinais clínicos da PE é fundamental para reduzir riscos e possibilitar intervenções efetivas durante o pré-natal. Entre os principais sinais e sintomas de gravidade estão hipertensão arterial, edema, cefaleia intensa, alterações visuais, dor epigástrica, manifestações que exigem acompanhamento contínuo e assistência qualificada da equipe multiprofissional (ACOG, 2020; BRASIL, 2022). Nesse contexto, a enfermagem possui papel essencial na promoção da saúde materna e prevenção de agravos, atuando diretamente no acompanhamento pré-natal, educação em saúde, monitoramento dos sinais vitais e identificação precoce de alterações clínicas sugestivas da doença. O enfermeiro, por meio da assistência humanizada e do cuidado contínuo, contribui significativamente para a prevenção de complicações maternas e fetais, além de fortalecer a educação em saúde e o vínculo com a gestante (FERREIRA et al., 2019; SOUZA, 2021). Diante disto, torna-se indispensável discutir a importância do enfermeiro na detecção precoce da PE, evidenciando sua atuação como estratégia fundamental para a redução da morbimortalidade materno-fetal e para a promoção de uma gestação mais segura.
- Objetivo
Discutir a importância da atuação do enfermeiro no diagnóstico precoce da PE, enfatizando estratégias inovadoras de cuidado, identificação de sinais clínicos sutis e fortalecimento da educação em saúde, como ferramentas para redução da morbimortalidade materna e fetal.
- Método
Trata-se de um estudo descritivo, de natureza exploratória, que buscou analisar a importância da atuação do enfermeiro na detecção precoce da PE. Realizado por meio da análise da literatura científica atual existente (artigos científicos, diretrizes clínicas, manuais, relatórios nacionais e internacionais) relacionados à PE e à assistência de enfermagem no pré-natal, com foco na segurança do paciente.
- Resultados e Discussão
A atuação da enfermagem possui papel central na identificação precoce da pré-eclâmpsia e na prevenção de complicações materno-fetais. Embora os sinais clássicos, como hipertensão arterial, proteinúria e edema, sejam amplamente conhecidos, evidências recentes indicam que sintomas inespecíficos e frequentemente subestimados podem anteceder quadros graves da doença (ACOG, 2020). Atualmente, uma das principais discussões na assistência obstétrica está relacionada à necessidade de ampliar o olhar clínico da enfermagem para além dos sinais clínicos da doença. Estudos recentes apontam que manifestações como fadiga extrema, alterações emocionais repentinas, alterações visuais transitórias, dor epigástrica leve, cefaleia persistente resistente à analgesia, ganho de peso abrupto, dificuldade respiratória leve, ansiedade intensa associada a sensação pressão torácica e edema facial progressivo (BURTON et al., 2019; ACOG, 2020; LINO et al., 2025). Sintomas estes, que, quando negligenciados, podem retardar o diagnóstico e aumentar significativamente o risco de complicações maternas e fetais. A literatura também evidencia que fatores socioeconômicos, dificuldade de acesso ao pré-natal e baixa adesão ao acompanhamento gestacional contribuem diretamente para o diagnóstico tardio. A enfermagem assume papel estratégico na realização de consultas de pré-natal humanizadas, monitoramento pressórico, identificação precoce de alterações clínicas e orientação contínua às gestantes. Por conseguinte, destaca-se como proposta inovadora a utilização da educação em saúde baseada em tecnologias leves e acessíveis, como acompanhamento remoto, aplicativos de monitoramento gestacional, cartilhas digitais e grupos educativos conduzidos pela enfermagem, essas estratégias têm apresentado resultados positivos na identificação precoce de sinais de alerta e no fortalecimento do vínculo entre a gestante e a equipe de saúde (CROVADOR et al., 2025; VIEIRA et al., 2025). Também destaca-se a importância da atuação de enfermagem baseada em protocolos assistenciais e evidências científicas para reduzir atrasos de diagnóstico e obter melhora nos desfechos gestacionais, este feito é possível através da aplicação de escalas de vulnerabilidade materna e uma triagem com olhar clínico crítico. A utilização profilática de ácido acetilsalicílico para gestantes de alto risco, iniciada entre a 12ª e a 16ª semana gestacional, mostrou redução significativa dos casos de PE precoce e complicações associadas (ACOG, 2020). Ainda, pesquisas apontam associação entre PE e maior risco cardiovascular futuro para a mulher, incluindo hipertensão arterial crônica, acidente vascular cerebral e doenças coronarianas. Por conseguinte, o acompanhamento não deve limitar-se ao período gestacional, sendo necessário incentivo ao seguimento clínico após o parto.
- Conclusão
Conclui-se que a atuação da enfermagem é fundamental na detecção precoce da PE, contribuindo para a identificação dos sinais clínicos e prevenção de complicações maternas e fetais. O acompanhamento pré-natal qualificado e a assistência humanizada favorecem o diagnóstico precoce, promovendo maior segurança e qualidade de vida para o binômio.
Descritores: Pré-Eclâmpsia. Segurança do Paciente. Papel do Profissional de Enfermagem