PROTOCOLOS DE SEGURANÇA DO PACIENTE- CONTRIBUIÇÃO DA EQUIPE DE ENFERMAGEM
Resumo
1.Introdução
Segurança do paciente são ações destinadas a reduzir/prevenir os riscos e danos desnecessários relacionados à assistência à saúde do paciente. Este tema é debatido há quase duas décadas, a partir de um relatório publicado pelo instituto de medicina dos EUA, o qual evidenciou as instituições de saúde como um sistema falho onde havia maior probabilidade de causar eventos adversos aos pacientes. Nesse sentido, dados disponibilizados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que dentre as falhas de assistências mais recorrentes encontram-se os relacionados a procedimentos cirúrgicos, seguido de erros na administração de medicações e os associados às infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) (LOPES et al., 2023). Cabe ressaltar, que os e eventos adversos (EA) podem resultar em danos e sequelas passageiras, permanentes ou até mesmo acarretar na morte do paciente (LOPES et al., 2023) (FERREIRA et al., 2021). No Brasil, entre 2014 e 2018, os EA mais reteirados foram uso incorreto de medicamentos (50,8%), queda do paciente (7,5%) e IRAS (7,2%)¹, tais dados são decorrentes da baixa adesão aos protocolos de segurança do paciente e assim causam o aumento de custos com a utilização de recursos destinados para contornar tais cenários clínicos e acarretam no aumento do tempo de hospitalização (LOPES et al., 2023).
2 Objetivo
Analisar o Papel e a Contribuição da Classe de Enfermagem na Adesão dos Protocolos de Segurança do Paciente em Instituição Hospitalares.
3 Método
Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, sem avaliação sistemática da qualidade metodológica dos estudos, realizada por meio da busca de artigos científicos nas bases de dados da Scielo, incluindo as revistas “Revista Eletrônica Acervo Enfermagem (REAEnf)” e Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação (REASE). Foram utilizados descritores controlados em português, por meio dos Descritores em Ciências da Saúde (DecS): “Protocolos”, "Adesão” e “Segurança do Paciente”, “Metas Internacionais de Segurança do Paciente”. Foram incluídos estudos publicados nos últimos cinco anos nos idiomas inglês e português que abordassem a relação entre a Adesão dos Protocolos de Segurança do Paciente bem como, as implicações na qualidade de assistência e no cuidado em saúde com ênfase na Atenção Hospitalar e na atuação da enfermagem. Foram excluídos artigos duplicados, estudos que não se relacionam diretamente com a temática proposta.
4 Resultados e Discussão
É estabelecido que os serviços de saúde têm o dever de implantar os Núcleos de Segurança do Paciente (NSP) em suas unidades de atendimento, onde estes, devem seguir as 6 metas criadas pela Comissão Conjunta Internacional (Joint Commission International (JCI)) estabelecidas e reconhecidas mundialmente, havendo como necessidade e cobrança a realização de notificações ao Sistema Nacional de Vigilância Sanitária em casos de EA relacionados ou não a estas metas (Identificação do paciente; comunicação eficaz entre profissionais, registros e setores; administração de medicação segura; cirurgia segura; redução dos riscos de infecções associadas ao cuidado; redução do risco de quedas e lesão por pressão) (FERREIRA et al., 2021). Dito isso, para assegurar a efetividade e o cumprimento das metas, os serviços utilizam-se de protocolos assistenciais previamente definidos e adequados às realidades de cada serviço, protocolos estes que reforçam cada uma das seis metas e qualificam a assistência prestada e demandam a enfermagem o papel de protagonista no cuidado e na mudança de cultura para a segurança do paciente, identificando dessa forma as lacunas que dificultam essa adesão (ALECRIM; MENDES, 2024) (FERREIRA et al., 2021). A percepção de enfermagem por sua vez, está diretamente ligada ao ato de prever demandas e intercorrências que possam se suceder para com o paciente que está sob seus cuidados, sendo dessa forma um fator chave/determinante para o êxito da implementação de protocolos, assim, designadamente, é de cargo da enfermagem analisar o risco e a probabilidade precoces do paciente desenvolver qualquer tipo de infecção relacionada a sua estadia na unidade, considerando o tempo de internação, o número de dispositivos instalados para o suporte de vida ou melhora na qualidade de vida do paciente; bem como riscos relacionados a queda do paciente que estão ou não ligados a sua deterioração ou limitação clínica; observação do desenvolvimento de lesões por pressão (LP); análise da qualidade e efetividade da higienização corporal, oral e de dispositivos que está sendo realizadas por exemplo. (ALECRIM; MENDES, 2024) (OLIVEIRA et al., 2014) .A adoção de medidas corretivas, são uma correlação da importância da eficácia/efetividade das estratégias e gestão de riscos introduzidas no dia a dia de cada unidade hospitalar, sendo estas através da sistematização do cuidado e comunicação em ambientes de urgência e emergência por exemplo, onde cada erro (EA) conecta-se diretamente a escala de dimensionamento da equipe de enfermagem e impacta diretamente na qualidade da assistência para a recuperação do estado de saúde do paciente (ALECRIM; MENDES, 2024).
5 Conclusão
A Enfermagem, atua na melhora e na qualificação da efetividade da assistência através dos protocolos por meio do acompanhamento realizado a beira leito diariamente. Ainda sua avaliação criteriosa da análise de sinais e sintomas que o paciente permite prever demandas e EA que possam vir ocorrer, permitindo capacitações adequadas e que tragam resultados significativos nos índices de reinternações e impactos diretos em relação a mortalidade dentro das instituições hospitalares. Dessa forma, a aplicação de protocolos claros e concisos orientam a atuação das equipes multiprofissionais, diminuem sobrecarga de trabalho e ruídos de comunicação e aumentam a adesão da equipe e consequentemente a qualidade de assistência aos pacientes..
Palavras- chave: Metas Internacionais de Segurança do Paciente; Protocolos de Segurança do Paciente; Adesão aos Protocolos de Segurança ao Paciente
ODS relacionado: ODS 3 – Saúde e Bem-Estar
Referências
ALECRIM, Tatiana Carolino de Abreu; MENDES, Lina Pollyana Brito. Eficácia da implementação dos protocolos de segurança do paciente em unidades de pronto atendimento. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação – REASE, São Paulo, v. 8, n. 11, 2024. DOI: https://doi.org/10.51891/rease.v8i11.21758. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/21758/13462. Acesso em: 7 maio 2026.
FERREIRA, Brenda Evelyn Mota et al. Adesão dos profissionais de enfermagem às metas de segurança da OMS: uma revisão de literatura. Revista Eletrônica Acervo Enfermagem, [S. l.], v. 8, 2021. DOI: https://doi.org/10.25248/REAenf.e5967.2021. Disponível em: https://acervomais.com.br/index.php/enfermagem/article/view/5967. Acesso em: 7 maio 2026.
LOPES, Brenda de Araújo et al. A cultura de segurança do paciente na perspectiva da equipe de enfermagem. Cogitare Enfermagem, Curitiba, v. 28, 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/cenf/a/GGknTHXWHkfTWtnQ4SG9S6p/?lang=pt. Acesso em: 7 maio 2026. DOI: https://doi.org/10.1590/ce.v28i0.86111.
OLIVEIRA, Roberta Meneses; LEITÃO, Ilse Maria Tigre de Arruda; SILVA, Lucilane Maria Sales da; FIGUEIREDO, Sarah Vieira; SAMPAIO, Renata Lopes; GONDIM, Marcela Monteiro. Estratégias para promover segurança do paciente: da identificação dos riscos às práticas baseadas em evidências. Escola Anna Nery, Rio de Janeiro, v. 18, n. 1, p. 122-129, jan./mar. 2014. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ean/a/cgFQTChp95c35PvWrp3D4JL/?format=html&lang=pt. Acesso em: 7 maio 2026. DOI: https://doi.org/10.5935/1414-8145.20140018