HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA: ASPECTOS CLÍNICOS, TRATAMENTO E FARMACOVIGILÂNCIA.
Resumo
1.Introdução
A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é uma condição clínica caracterizada pela elevação persistente dos níveis de pressão arterial, sendo considerada um dos principais problemas de saúde pública mundial. Está diretamente associada ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca (RADOVANOVIC et al., 2014; LIMA et al., 2021). Frequentemente assintomática, a HAS é conhecida como “assassina silenciosa”, o que dificulta seu diagnóstico precoce e favorece o surgimento de complicações (COSTA et al., 2018). Sua etiologia é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, ambientais e comportamentais, como sedentarismo, alimentação inadequada e consumo excessivo de sal (SILVA et al., 2017). Nesse contexto, torna-se essencial a ampliação do conhecimento sobre a doença, visando à prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado.
- Objetivo
Analisar, por meio de revisão da literatura, os principais aspectos relacionados à Hipertensão Arterial Sistêmica, incluindo fatores de risco, manifestações clínicas, diagnóstico, tratamento e a importância da farmacovigilância no cuidado ao paciente.
- Métodos
Trata-se de um estudo descritivo, de abordagem qualitativa, realizado por meio de revisão narrativa da literatura. Foram utilizados artigos científicos, diretrizes clínicas e materiais acadêmicos que abordam a Hipertensão Arterial Sistêmica, contemplando aspectos como fisiopatologia, diagnóstico e tratamento. A seleção dos conteúdos baseou-se na relevância e atualidade das informações, possibilitando uma análise integrada e fundamentada sobre o tema.
- Procedimento
A HAS apresenta, na maioria dos casos, evolução assintomática, o que dificulta sua identificação precoce. Quando presentes, os sintomas podem incluir cefaleia, tontura, fadiga e alterações visuais (PÉRES, 2003). Em casos mais graves, podem ocorrer manifestações como dor torácica, dispneia e confusão mental, indicando possível crise hipertensiva (FEITOSA-FILHO et al., 2008). A persistência de níveis elevados de pressão arterial pode levar a danos em órgãos-alvo, como coração, rins, cérebro e olhos, aumentando o risco de complicações graves. O diagnóstico da HAS baseia-se na aferição adequada da pressão arterial, sendo confirmado quando os valores são iguais ou superiores a 140/90 mmHg em diferentes momentos (RIBEIRO et al., 2012). A avaliação clínica inclui anamnese, exame físico e exames complementares, como laboratoriais e de imagem, que auxiliam na identificação de lesões em órgãos-alvo (BARROSO et al., 2021). O tratamento envolve medidas não farmacológicas e farmacológicas. As mudanças no estilo de vida incluem alimentação equilibrada, redução do consumo de sódio, prática de atividade física e controle do estresse. Quando necessário, são utilizados medicamentos anti-hipertensivos, como diuréticos, inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), bloqueadores dos receptores da angiotensina II (BRA), bloqueadores dos canais de cálcio e betabloqueadores. A escolha do tratamento deve ser individualizada, considerando as condições clínicas do paciente. Os efeitos adversos dos medicamentos são relevantes no manejo da HAS, podendo incluir tosse seca, edema periférico, alterações eletrolíticas e bradicardia. Em casos mais graves, podem ocorrer hipotensão, insuficiência renal e hipercalemia. Além disso, as interações medicamentosas podem comprometer a eficácia do tratamento, como no caso do uso de anti-inflamatórios não esteroides, que podem elevar a pressão arterial (SOUZA et al., 2016). Nesse cenário, a farmacovigilância desempenha papel fundamental, pois permite a identificação, monitoramento e prevenção de eventos adversos relacionados ao uso de medicamentos, contribuindo para a segurança do paciente e para o uso racional das terapias. A atuação do enfermeiro é essencial nesse processo, desde a aferição correta da pressão arterial até a orientação e acompanhamento do paciente, promovendo adesão ao tratamento e prevenção de complicações.
- Considerações finais:
A Hipertensão Arterial Sistêmica é uma condição de grande impacto na saúde pública, exigindo estratégias eficazes de prevenção, diagnóstico e tratamento. O controle adequado da doença depende da adesão do paciente às mudanças no estilo de vida e ao tratamento medicamentoso. A farmacovigilância contribui para a segurança terapêutica, permitindo a identificação precoce de efeitos adversos e interações medicamentosas. Destaca-se o papel do enfermeiro no cuidado integral ao paciente, atuando na educação em saúde, monitoramento clínico e promoção da qualidade de vida.
- Descritores:
Hipertensão arterial; Farmacovigilância; Enfermagem
- Referências:
ALMEIDA, F. A. et al. Tratamento não medicamentoso da hipertensão arterial. Revista da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, São Paulo, v. 12, n. 1, p. 1-5, 2002.
BARROSO, W. K. S. et al. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, São Paulo, v. 116, n. 3, p. 516-658, 2021.
COSTA, C. S. et al. Hipertensão arterial sistêmica: principais fatores de risco modificáveis em adultos. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 52, n. 95, p. 1-10, 2018.
FEITOSA-FILHO, G. S. et al. Crise hipertensiva: atualização clínica e terapêutica. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, São Paulo, v. 20, n. 3, p. 305-312, 2008.
LIMA, R. S. et al. Hipertensão arterial sistêmica e fatores associados em adultos brasileiros. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 26, n. 3, p. 1105-1114, 2021.
PÉRES, D. S. Sentimentos de mulheres hipertensas sobre a doença e o tratamento. Revista Latino-Americana de Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 11, n. 4, p. 471-477, 2003.
RADOVANOVIC, C. A. T. et al. Hipertensão arterial e outros fatores de risco associados às doenças cardiovasculares em adultos. Revista Latino-Americana de Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 22, n. 4, p. 547-553, 2014.
RIBEIRO, A. B. et al. Hipertensão arterial: diagnóstico e tratamento. Revista Brasileira de Hipertensão, São Paulo, v. 19, n. 1, p. 7-12, 2012.
SILVA, E. C. et al. Fatores de risco associados à hipertensão arterial em adultos. Revista de Atenção à Saúde, São Caetano do Sul, v. 15, n. 52, p. 75-81, 2017.
SOUZA, W. K. S. B. et al. Monitorização e tratamento farmacológico da hipertensão arterial sistêmica. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, São Paulo, v. 107, n. 3, p. 35-43, 2016.