SEMINÁRIO ‘TODA CRIANÇA APRENDE’: CONVERGÊNCIAS TEÓRICAS E PRÁTICAS PARA O ENSINO INCLUSIVO
Palavras-chave:
Transtorno do Espectro Autista. Inclusão escolar. Neurodiversidade. Educação inclusiva. Práticas pedagógicas.Resumo
Introdução: A inclusão de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nas escolas regulares demanda mais do que adequações formais: exige a transformação das práticas pedagógicas, das representações sociais e dos discursos institucionais. Este estudo analisa as narrativas produzidas no seminário “Toda Criança Aprende” (Chapecó–SC, 2025), buscando compreender as contradições entre diretrizes legais e práticas escolares em relação à inclusão de sujeitos com TEA. Materiais e Métodos: Trata-se de um estudo qualitativo com delineamento de estudo de caso, fundamentado na Análise Crítica do Discurso, proposta por Fairclough¹. O corpus foi composto por transcrições das falas proferidas durante o evento, envolvendo professores, gestores, familiares e especialistas. A análise textual foi organizada em três eixos: discursos justificadores da não inclusão, experiências pedagógicas inclusivas e tensionamentos entre política e prática. Resultados e Discussão: Os dados revelaram a persistência de um discurso medicalizante, que atribui a dificuldade da inclusão à suposta inadequação do sujeito autista. Em contrapartida, foram relatadas experiências pedagógicas exitosas, como o uso de comunicação aumentativa², mediação sensorial e roteiros visuais de rotina, que favorecem a participação escolar. Destacaram-se também as críticas à formação docente “genérica” e à ausência de suporte institucional contínuo. A discussão teórica articula esses achados aos conceitos de neurodiversidade³, plasticidade neural⁴ e funções executivas⁵, ressaltando a urgência de práticas intersetoriais baseadas em evidências e centradas no pertencimento.
Tabela. Síntese dos Resultados do Seminário “Toda Criança Aprende”
Categoria
Achados principais
Implicações
Discurso justificador da não inclusão
Predomínio do discurso medicalizante, que atribui a não inclusão à “inadequação” do sujeito com TEA.
Reforça estigmas e limitações institucionais; perpetua práticas excludentes.
Experiências pedagógicas inclusivas
Uso de comunicação aumentativa, mediação sensorial e roteiros visuais de rotina.
Facilitam a participação escolar e demonstram eficácia de práticas centradas na neurodiversidade.
Formação docente
Críticas à formação “genérica” e ausência de suporte contínuo.
Evidenciam a necessidade de capacitação específica e políticas públicas de apoio à formação docente.
Teorias de apoio
Articulação com neurodiversidade, plasticidade neural e funções executivas.
Fundamenta as práticas inclusivas com base em evidências científicas interdisciplinares.
Conclusão: A efetivação da inclusão escolar de estudantes com TEA exige o rompimento com lógicas patologizantes e a construção de uma cultura pedagógica que reconheça a singularidade como direito. Propõem-se programas de formação docente continuada, articulação entre escola, família e rede intersetorial e incorporação de estratégias baseadas na neuropsicopedagogia, como roteiros visuais e comunicação aumentativa.
Referências
Fairclough N. Discourse and social change. Cambridge: Polity Press; 1992.
Light J, McNaughton D. Communication competence for individuals who require augmentative and alternative communication. Augment Altern Commun. 2020;36(3):200-215.
Singer J. Why can't you be normal for once in your life? In: Corker M, French S, editors. Disability discourse. Buckingham: Open University Press; 1999.
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Nunes LDS, Primi R, Almeida LS. Executive functions: from conceptualization to implications for practice. Psicol Teor Pesqui. 2022;38:e38519.
Rocha SA. As contribuições da neuropsicopedagogia para o desenvolvimento de crianças com autismo (TEA). Rev Cient Imperium. 2025.