DOENÇA DE CHAGAS NO BRASIL - UMA REVISÃO DE LITERATURA

Autores

  • Rafaela Schmitz Centro Universitário Uceff
  • Roberta Rampelotto Centro Universitário Uceff

Resumo

Introdução: A doença de Chagas é uma infecção causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, que pode apresentar desde quadros assintomáticos até complicações graves no sistema cardíaco e digestivo. Seu impacto está relacionado a fatores biológicos e sociais, como pobreza e acesso limitado aos serviços de saúde. Classificada como uma doença tropical negligenciada, afeta milhões de pessoas, principalmente na América Latina, embora tenha se espalhado globalmente por meio da migração. O enfrentamento da doença requer uma abordagem multidimensional que considere aspectos clínicos, epidemiológicos, sociais e políticos.¹ Objetivo:O objetivo deste trabalho foi analisar, com base em revisão bibliográfica, a relevância da doença de Chagas no cenário brasileiro. Método: Trata-se de uma revisão de literatura, com abordagem descritiva e não experimental. Foram consultadas as bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), utilizando as palavras-chave: Doença de Chagas, Trypanosoma cruzi, Brasil e transmissão. Foram selecionados cinco artigos publicados entre 2015 a 2025. Resultados e Discussão: O Trypanosoma cruzi é transmitido pelo percevejo vetor, que elimina formas infectantes nas fezes durante a picada, permitindo a entrada do parasita por feridas ou mucosas. No organismo, o parasita invade células, se multiplicam e mantém um ciclo contínuo de infecção. A doença apresenta fase aguda, com intensa replicação parasitária e resposta imune, e uma fase crônica geralmente assintomática, que pode evoluir para complicações cardíacas e gastrointestinais. A cardiomiopatia é a sequela mais frequente, atingindo cerca de 30% dos infectados. A imunossupressão pode reativar a doença, levando a quadros clínicos mais graves.² Além da transmissão vetorial, há outras vias: a vertical, da mãe para o feto, com risco maior quando a carga parasitária é elevada; a transmissão por transplantes de órgãos sólidos, principalmente coração, fígado e rins; por acidentes laboratoriais, ainda que raros; e a via oral, por ingestão de alimentos ou água contaminados. Essa última forma tem causado surtos agudos em regiões endêmicas.³ No Brasil, a doença de Chagas já atingiu cerca de 40% do território, com maior incidência em Minas Gerais, Goiás, Bahia, São Paulo, Acre, Amazonas e Amapá. A principal forma de transmissão segue sendo a vetorial, favorecida por moradias rurais precárias. Entre 2005 e 2013, foram registrados 112 surtos associados ao consumo de alimentos contaminados, como açaí, bacaba e caldo de cana. O estado do Pará concentrou a maioria dos casos, seguido por Amapá, Amazonas, Tocantins e Bahia.⁴ O tratamento é realizado com benzonidazol e nifurtimox, sendo o primeiro o mais utilizado no Brasil. A terapia é mais eficaz em crianças e adultos jovens na fase crônica inicial, reduzindo complicações e prevenindo a transmissão vertical. No entanto, reações adversas, como dermatite e neuropatia, são comuns, exigindo acompanhamento clínico contínuo para garantir a segurança do paciente.⁵ Conclusão: A ampliação do diagnóstico, do tratamento e da informação à população é essencial. Enfrentar a doença exige atenção integral e ações coordenadas em saúde.

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Publicado

2026-07-05

Edição

Seção

Resumo Expandido/Resumos