FATORES DE RISCO PARA ANSIEDADE E DEPRESSÃO NA ADOLESCÊNCIA: UMA REVISÃO DE LITERATURA

Autores

  • Rafaela Oliboni Centro Universitário Uceff
  • Roberta Rampelotto Centro Universitário Uceff
  • Emiliana Giusti de Vargas Centro Universitário Uceff

Palavras-chave:

Saúde mental, transtornos, tecnologia, mídias sociais.

Resumo

Grande área de conhecimento: Ciências da Saúde

Introdução: A adolescência é um período de intensas mudanças biológicas, psicológicas e sociais, que pode aumentar a vulnerabilidade a transtornos mentais, especialmente ansiedade e depressão. Estima-se que 10% a 20% dos adolescentes no mundo apresentam algum transtorno mental, sendo a ansiedade e a depressão os mais comuns.¹ No Brasil, observa-se aumento expressivo da incidência dessas condições, associado a fatores ambientais, sociais e culturais.² Objetivo: Analisar os fatores de risco para ansiedade e depressão em adolescentes, com base em evidências científicas recentes. Métodos: Foi realizada revisão de literatura nas bases de dados PubMed, SciELO e Web of Science, com os descritores “adolescentes”, “ansiedade”, “depressão”.. Foram incluídos 6 artigos publicados entre 2015 a 2025, em inglês ou português, que apresentassem dados de prevalência e fatores associados. Resultados e discussão: Estudos brasileiros apontam que a prevalência de sintomas depressivos na adolescência varia entre 15% e 30%, enquanto os transtornos de ansiedade atingem de 20% a 36%. ³ Entre os principais fatores de risco está o gênero, sendo o feminino frequentemente associado a maiores níveis de sofrimento psicológico. Além disso, variáveis ambientais, como conflitos familiares, baixa rede de apoio social, dificuldades escolares e experiências de violência, são determinantes importantes para a manifestação dos sintomas. A má qualidade do sono e o uso excessivo de redes sociais também se consolidaram como fatores de risco, contribuindo para o aumento da insegurança emocional e para a piora da autoestima dos adolescentes.⁴ O impacto das mídias digitais, sobretudo no que diz respeito ao cyberbullying, merece destaque. A exposição prolongada a interações virtuais negativas está associada ao aumento de sintomas depressivos, da ansiedade e até mesmo do risco de ideação suicida, tornando-se um fenômeno de grande preocupação.⁵ Além disso, adolescentes com doenças crônicas, como asma, apresentam maior propensão a desenvolver transtornos emocionais, evidenciando que condições clínicas podem intensificar a vulnerabilidade psicológica.⁶ Conclusão: A ansiedade e a depressão na adolescência configuram um importante problema de saúde pública com alta prevalência, influenciados por fatores individuais, familiares e sociais, conflitos familiares, baixa qualidade do sono, uso excessivo de redes sociais e doenças crônicas. Esses transtornos podem comprometer o desenvolvimento emocional, social e acadêmico, aumentando o risco de ideação suicida. A identificação precoce e a implementação de intervenções multidisciplinares, envolvendo família, escola e serviços de saúde são essenciais para prevenir complicações, promover a resiliência e reduzir o impacto desses transtornos na vida dos adolescentes.

Referências

¹ World Health Organization. Adolescent mental health [Internet]. Geneva: WHO; 2021 [cited 2025 Aug 12]. Available from: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/adolescent-mental-health

² Silva SA, Silva SU, Ronca DB, Gonçalves VSS, Dutra ES, Carvalho KMB. Common mental disorders prevalence in adolescents: a systematic review and meta-analyses. PLoS One. 2020;15(4):e0232007.

³Manfro PH, Kieling C, Tramontina J, et al. Depression in a youth population-based sample from Brazil. J Affect Disord. 2021;287:220-7.

⁴Silva AN, Silva RM, Silva EF. Fatores de risco para a saúde mental de adolescentes: revisão integrativa. Rev Esc Enferm USP. 2021;55:e20200564.

⁵Ahmed O, Hossain KN, Rahman MM, Islam MS. Social media use, mental health and sleep: a systematic review and meta-analysis. J Affect Disord. 2024;358:1-12.

⁶Andrade CR, Lasmar LMLBF, Lasmar MF, et al. Emotional and behavioral disorders in adolescents with asthma compared with non-asthmatics. J Bras Pneumol. 2020;46(5):e20190244.

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Publicado

2026-07-05

Edição

Seção

Resumo Expandido/Resumos