AUTOMEDICAÇÃO E OS RISCOS PARA A SAÚDE PÚBLICA
Resumo
Introdução: O Brasil tem se tornado um dos maiores mercados farmacêuticos do mundo, e essa acessibilidade aumenta a probabilidade do uso inadequado de medicamentos.¹ Compreende-se por automedicação o uso de medicamentos não prescritos, geralmente de venda livre, para tratamento de sintomas leves, sem consulta ao médico, por iniciativa do usuário ou de seu responsável. Apesar de a maioria dos medicamentos consumidos sejam isentos de prescrição, é importante não subestimar os riscos de intoxicações e efeitos adversos que podem afetar seus usuários.³ Objetivo: Consiste em analisar quais os principais riscos para a saúde pública decorrentes da automedicação. Método: Foi realizado uma revisão integrativa da literatura sobre o tema, nas plataformas Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), utilizando as palavras-chave “automedicação” e “consequências na saúde pública”. Os estudos foram selecionados com base na relevância do título e foco nas principais consequências da automedicação para a saúde pública. Foram incluídos estudos de acesso público na língua portuguesa, entre os anos de 2010 e 2024, totalizando 11 trabalhos. Resultados e discussão: Segundo Arrais et al (2016)4, cerca de 65 % dos medicamentos utilizados são isentos de prescrição, sendo que os analgésicos e relaxantes musculares os mais utilizados. Dentre os principais fatores encontrados que levam à automedicação, destacam-se o uso de antigas prescrições e estoques, experiências anteriores com o medicamento, recomendações de familiares, amigos e vizinhos e autocuidado sem orientação técnica.5 Além disso, o alívio imediato buscado pelos indivíduos, potencializado pela dificuldade de acesso a serviços de saúde em algumas localidades, pode ser associado ao modelo de saúde que tem como principal forma de intervenção os medicamentos, ignorando muitas vezes a mudança de hábitos e outros tratamentos alternativos. 6,7 Esse uso inadequado pode provocar sérios riscos à saúde individual e coletiva, variando em reações adversas, intoxicações, dependência, interações medicamentosas ou resistência antimicrobiana, quando se trata de antibacterianos.8 Em relação aos analgésicos e anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), seu uso prolongado ou excessivo está associado a danos renais, complicações gastrointestinais e aumento de risco de eventos cardiovasculares, além das possíveis reações quando há interação com anticoagulantes.9 O uso indiscriminado de antimicrobianos, de tratamentos anteriores ou obtidos ilicitamente em farmácias sem a prescrição médica pode promover a resistência bacteriana, o que resulta no surgimento de bactérias multirresistentes, na perda de sensibilidade dos medicamentos, impactando diretamente na saúde pública, podendo comprometer com maior facilidade, inclusive pessoas com sistema imune debilitado. 10,11 Conclusão: Apesar do alívio imediato de sintomas leves, a automedicação representa uma preocupação para a saúde individual e coletiva, gerando impactos na saúde pública. Além disso,torna-se, é essencial o fortalecimento de políticas públicas para promover o uso racional de medicamentos, fiscalização mais rigorosa da comercialização, além de maior orientação para a realização dos tratamentos. Ainda, evidencia-se o importante papel dos profissionais de saúde para a mudança de cultura, na busca de outras alternativas de terapêuticas